segunda-feira, outubro 3

Uma sala. Uma sala onde entra sol pela janela, ainda que a chuva lá fora.
Uma sala que não são as paredes pintadas da sala, nem os desenhos velhos de existir.
E que não é uma sala de quadro negro e de carteiras de ouvir só.
É uma sala circular dentro de paredes quadradas.
Uma sala que são as pessoas dentro dela, e as partilhas dentro das pessoas.
Uma sala que são as ideias e as acções, o numero dez e os ideais.
Uma sala que não é sala nenhuma, e é os cafés e as rodas na rua e os acenos de cumplicidades sentidas.
Uma sala que são as confissões e os olhares amigos, e onde os juízos são um lugar estranho.
Uma sala que tem dentro as coisas boas que escolhemos, e as que aprendemos.
Uma sala que passa a ser um pedaço de nós que deixamos para trás, que trazemos connosco; que é só um pedaço de nós. De um nós maior que o umbigo grande que trazemos. De um nós que somos todos no circulo maior de nos olharmos.
Uma sala de elogios e entregas, de amizades crescidas no imo de ouvir.
Uma sala de aprender e ensinar, de seguir e ser seguido, de iguais e mais que iguais.
Uma sala de admirar o arquitecto, e felicitar o engenheiro.
Uma sala de viver simples e não pensar na sala.
Entrar só, e sentir o sol entrar pela janela de chuva lá fora.

Barnabé Santiago 03\09\2005

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

...e uma lágrima levantou-se devagar. Depois, seguiu o seu caminho e afogou-se entre os papéis e os meus cabelos.

terça-feira, outubro 04, 2005 11:29:00 da manhã  

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