sexta-feira, setembro 9

com o passar do tempo fui tentando arranjar motivos
a minha ligação mais que ranhosa
as tardes intermináveis de longboard
as noites longas do baleal
os amigos que querem sempre mais um pouco
a partida apitada (ossos a ranger?)
as decisões impossiveis de saber o que está certo
eu
a minha vida a precisar de reconstrução
um "reboot" a colar-me o estômago ao chão
o amor adiado para horas incertas
mas não.
não acho que tenha sido nada destas coisas, esta é a primeira vez em cinco anos que tenho férias a sério. e não me creio que seja esse o motivo de não ter escrito. não posso ver canetas a deslizar se tudo o que tenho é distrair-me do presente para não pensar no futuro. duas semanas, countdown para uma vida nova. susto. aqui estou, "na véspera de não partir nunca".
eu vou escrever digo eu a mim mesmo, e rio. quem me dera ainda saber mentir-me.

(Vão dar-me uma festa surpresa amanha. Tão enganados, a surpresa já se foi... Festa? Para isso era preciso que eu não fosse para lá chorar... "Tásse bem, agente vê-se" e ás tantas é verdade, não me vou preocupar)

4 Comments:

Blogger Meriel said...

Barbas,
Tanto tempo sem dizeres nada e agora esta tristeza toda.
Nós ainda estamos aqui e se deixares vamos estar sempre :)
E li em tempos "quem tem o mar e a montanha nunca está só".

segunda-feira, setembro 12, 2005 6:29:00 da tarde  
Blogger barbAs said...

Oh meriel, obrigado pelo conforto, pode ser tristeza, mas é daquela tristeza boa de tempo para crescer sabes?
Há momentos em que tem de sair cá para fora tudo. Vou sair do sitio onde cresci, vou deixar a vida que tenho, e verdade é que foi com esse objectivo que pensei ir... Agora, com a partida á vista custa saber que só não gostava do que tinha porque não lhe dava valor.
A festa correu ben a sério, eu fiz um ar muito erspantado, perante 40 pessoas para quem significo mais do que elas a mim, e não chorei, pelo menos de partir, embora aturar bebedeiras a certa altura dê vontade...
Desculpem se não escrevi, mas a verdade é que não estava em condições, vou tentar escrever mais a partir da semana que vem, se a minha rseidencia(que por sinal ainda não me foi atribuida...bonito) tiver uma ligação á maneira...
Talvez quem escreveu tenha razão, porque bem que parece que não estás só, mas gosto de pensar que estamos, e esse é o motivo, estamos. Sabes, isso é a Hilflosigkeit, a angústia do desamparo, estamos sós, só temos de saber viver com isso, e aproveitar as ilusões de companhia: o mar, a montanha, a caneta, o amor...

quinta-feira, setembro 15, 2005 2:17:00 da manhã  
Blogger Meriel said...

Barbas :)
Quando vim ao teu blog pela primeira vez tive de procurar o significado de Hilflosigkeit. Obviamente não fazia ideia do que era :) Mas encontrei, li, compreendi e reconheci que muitas vezes me sentia assim.
Sabes que nos meus maus momentos costumo subir um monte e ficar lá sozinha umas horas valentes. Nas primeiras horas sinto e quase que gozo a doce dor da solidão total. Sinto-me isolada, só, abandonada. Parece que para mim não existe nada, ninguém, em lado nenhum. Sinto-me uma órfã da humanidade. Depois, pouco a pouco, reconstruo-me emocionalmente. E quando o sol começa a nascer desço da montanha mais forte que nunca, bem comigo, com os outros e com o mundo.
Tenho os momentos opostos quando sonho desvairadamente com um optimismo descarado e aí vou até ao mar. A sua energia alimenta-me a imaginação e faz crescer o sonho em força e em clareza. Quando vou embora levo comigo a energia necessária para lutar pelos meus sonhos.
Quando sinto desamparo abraço uma arvore ou mergulho no mar.
É por isso que a frase do mar e da montanha me toca tão profundamente.
Se tens 40 pessoas na tua festa de despedida de facto devias chorar, mas de felicidade :) Tanta gente a apoiar-te e querer-te bem. Com uma força dessas tenho a certeza que para onde quer que vás tudo irá correr bem :) Sempre que te faltarem as forças lembra-te deles, da sua presença, da sua alegria e até das suas bebedeiras. Vais sorrir certamente. E estou com inveja de ti. Como é bom ter na vida hipótese de mudar e abrir horizontes, partir para a alegria de desbravar o desconhecido e guardar a felicidades dos regressos a casa.
Hoje de facto estou uma chata :) Desejo que a residência seja porreira, que a ligação seja melhor ainda (para continuarmos a “falar”), que escrevas muito para nós lermos e que esta nova fase da tua vida seja a primeira das melhores.

quinta-feira, setembro 15, 2005 6:22:00 da tarde  
Blogger Meriel said...

Esqueci-me de uma coisa (que ganda chata :)
Percebo a dor do crescimento, da partida e da reavaliação do que deixamos.
E é como dizes, é uma dor que nos faz crescer interiormente.
Na minha humilde opinião estás no bom caminho, o caminho do auto-conhecimento.
Tudo de bom para ti :)

quinta-feira, setembro 15, 2005 6:26:00 da tarde  

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